sexta-feira, 22 de maio de 2009

tirando o excesso de marmore

Lembrando de Edmilson Conceição, me veio a memoria que o presentei com uma ardosia talhada com o logotipo da revista IPC, e esses meus saltos do 2d ao 3d nas esculturas em pedra e em argila, que se tornaram um hobby bem divertido, acabaram por deixar meu canto de trabalho mais parecido com um museu.
O que escutei uma vez de um cliente que me visitava - Se precisar fazer um jornal e o computador ou o papel não existir mais, o Anderson talha na pedra.

Um marmore talhado de presente para minha mulher, Ana Paula.


Tutankhamon - Howard Carter, arqueologo que descobriu o sarcofago do Farao era desenhista. Desenho, história, arqueologia e Egito, meu mundo e minhas paixões... que resolvi colocar em um site: http://www.geocities.com/lord_dri/b2/misterio1.htm



outras peças:









Respeito


A experiencia me incubiu a enorme responsabilidade de cuidar da identidade visual e da diagramação da Revista do Sindicato das Industrias de Panificação e Confeitaria, carinhosamente apelidada de IPC, uma das primeiras revistas de São Paulo e no alto de seus 90 anos de existencia, nos apresentava seus respeitaveis 750 números, fui convidado por Edmilson Conceição seu competente editor, que já trazia a larga experiencia do DCI e de grandes titulos.
Respeito e responsabilidade foi o que manteve a passagem na IPC, onde orgulhosamente assinei a diretoria de arte por 10 números.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Uma figurinha intragavel















Catalogo da
Macmillan Readers




As experiencias com titulos de jornal e revistas, guias comerciais e feiras e eventos, foi me deixando com uma visão mais globalizada, sabia criar e consolidar um projeto do "boneco" a distribuição, e sabia quando o mercado dava mostras do que precisava.
Se me tornei um profissional mais completo, por outro lado me tornei para alguns, uma figurinha por vezes intragavel.
A frente do comercial, meu leque de relacionamentos se ampliou e isso me fez ser convidado a comandar projetos, novos ou reformulações, e minha visão alem de apenas uma "nova diagramação" me colocou eternamente em conflito.
Confesso que fazia questão de gerar esse conflito quando escutava de funcionários que me desculpem o chulo, mas diziam: Tal cliente só enche o saco, ou tal cliente é folgado! Já tinha aprendido que cliente só "enche o saco" ou é "folgado" porque foi mal atendido. E o cliente é a razão de voce estar trabalhando.
Essa preocupação com a figura do cliente foi a culpada por me afastar prematuramente de projetos, certa ocasião, escutei do dono de uma empresa jornalistica a qual eu prestava serviços na elaboração de projetos, que, os clientes preferiam ser atendidos por mim do que pelo dono da empresa. Por causa da minha pouca paciencia com novatos, e pouco deslumbramento para os projetos ditos "revolucionários", eu já tinha participado de muitos embates calorosos, mas nunca por ciumes com o tratamento ao cliente.
Essa pouca paciencia me fez levantar da mesa na primeira semana como criação da house de uma importante empresa de aviação e ir para casa, quando escutei, do próprio dono da agencia que: - A empresa era tão importante, que era só colocar o logotipo e já vendia.
Tanto não foi assim, que a grande empresa de aviação quebrou, deixando espalhados os restos de seus logotipos por todos os lados... A empresa parece que ensaia uma volta, com o logotipo mais clean... será que só o logotipo mais clean vende mais?
Lojas CCP, acostumados com jornal produzido para o publico final e conseguindo sua migração para revista institucional.










Entre uma fria diagramação e outra, as vezes o lápis implorava para ser usado, não aguentava escutar por muito tempo seus apelos choramingados e o levava para passear no papel, nos fins de semana.

Magazine

Quando deixei a Voga, estava afiado com a implantação de novos projetos, trouxe comigo a Lar&Cia, que foi posteriormente rebatizada de Magazine, revista que mantinha seu publico alvo nos condominios. Minha mulher, a já jornalista Ana Paula Medeiros, dividia comigo a direção, edição e comercialização da revista, depois de vários numeros, nós optamos por ampliar o leque e atingir novos mercados, lançando a Magazine-lojas e empresas, revista dirigida ao comercio.


Com saudades dos desafios, desenhava mapas para as Magazines.

O que acabou me levando até Luis Correa, da Litesp Guias e Listas. Outra fera em vendas que me apresentou as grandes tiragens e distribuição qualitativa.




Apesar de dividir as funções de Diretor de Arte na Litesp com as responsabilidades da Magazine, meu lápis já não era tão exigido e foi trocado pouco a pouco por técnicas de vendas, abordagens e apresentações mais funcionais.
Artista não negocia, até aprender a negociar.




quarta-feira, 20 de maio de 2009

Poucos podem dizer: Fui amigo de um Super-Heroi!

Quando o Celso, amigo de eras incontaveis, guro espiritual, dono de uma das mentes mais criativas, um valoroso companheiro de criação, alem de minha inspiração para o personagem de quadrinhos SAGAS (Ilustração ao lado) me mostrou um cartão de visita do lendario Capitão 7... não acreditei.
Já conhecia a empresa Capitão Sete, que produzia fantasias infantis e era antiga cliente da Festcolor, mas não sabia que o heroi estampado nos anuncios era real. Como poderia imaginar que o escudo que me defendia das guerras de massinha na Festcolor iria estar tão presente em meu futuro.
Nunca imaginei que meu caminho iria se encontrar com o de Ayres Campos, o lendário Capitão Sete, o primeiro super-herói brasileiro que manteve um programa com suas aventuras espaciais no canal 7 de São Paulo, de 1954 a 1966.
Ayres Campos queria voltar com suas historias em quadrinhos que fizeram sucesso nas decadas de 60 e 70, e para isso procurava um desenhista.

E lá estava eu escutando um senhor que me lembrava fisicamente John Wayne, que me revelava histórias dos bastidores da televisão e aventuras arriscadas de um administrador, cantor, ator, atleta e lutador de luta-livre.
O mais perto que se pode chegar do Super-Homem sem voar, era conhecer Ayres Campos. Não sei explicar o porque Ayres ficou empolgado com meu traço (uma vez que meus rabiscos não podiam ser comparados com as feras e as lendas vivas da HQ nacional que já tinham desenhado o heroi) e ele me incentivava a produzir a "Volta do Capitão Sete". Dava ideias, aprovava e desaprovava mudanças e sempre pedia para voltar com mais material.
Idas e vindas ao seu Q.G. secreto (não tão secreto pois ele morava no Brooklin, e mantinha o escudo com seu logotipo em bronze na fachada da casa) comecei a ficar desgostoso com a demora dele em começar o projeto.
"Artista não negocia" era o lema que imperava e precisava de um fator de decisão, alguem que colocasse logo as cartas na mesa e me tirasse daquele impasse, apelei para o único capaz de vender chumbo quente em copo de vidro*: Osvaldenir Stocker.
Mais do que cartas, Stocker tirou da manga e colocou na mesa a Voga Comunicação, editora e agencia criada para publicar as futuras H.Q.s do Capitão 7 e ainda produzir anuncios para o crescente e familiar mercado de presentes.
Ayres Campos me lembrava todos os dias o propósito da Voga Comunicação - sua História em Quadrinhos -
Cada quadrinho desenhado era aprovado pelo velho Capitão, o que me força aqui a deixar um adendo...


- Ayres era o detentor dos direitos do Capitão 7 desde que a serie de T.V. foi cancelada, tanto que fez o personagem enveredar por quadrinhos, luta-livre e por fim, carro chefe de fantasias infantis. Porem nos antigos quadrinhos o nome da identidade secreta do personagem era Carlos, que se transformava no Capitão 7. Ele confessava que nunca gostou disso, para ele o personagem não era fruto de ficção e ele nem mesmo conhecia um Carlos. Na reformulação, Ayres fez questão de esquecer a antiga identidade, dali para frente, Ayres Campos era o Capitão 7 e pronto. Os poderes do personagem eram oriundos do setimo planeta, bem parecidos com os poderes do Super-Homem e argumentos que pareciam tirados de Flash Gordon, Fantasma e Mandrake. Essa falta de identidade e com muitos poderes rebuscados, fez com que eu e o Celso(o SAGAS), reinventassemos os poderes do Capitão 7.
Ayres tinha uma mania, mostrava a todos um anel de ouro com o logotipo do Capitão 7 cravejado com sete diamantes, um anel que já tinha virado lenda mas que nunca existiu na série ou nos quadrinhos antigos, mesmo porque foi feito sob encomenda depois do sucesso do personagem. Por que não juntar esse já famoso anel com os poderes do novo Capitão? E isso foi feito. Agora, cada pedra tinha um poder que funcionava por sete minutos. Como o logotipo era repleto de elementos, e a ideia de reformular o logotipo para Ayres parecia soar como um pecado mortal, optei por explicar que cada desenho no logotipo representava um poder. Ele abraçou tanto essa ideia, que depois dizia nas entrevistas que o Capitão na serie de tv, tinha sete poderes que vinham do anel.

Ao lado, projeto da capa e a contra-capa que foi refeita com o rosto de Ayres Campos, que insistia nisso.








Matéria na Folha de São Paulo, onde Ayres Campos fazia o que
sabia fazer de melhor, brilhava.

Como o trabalho na Voga as vezes ia até tarde, acostumei com ele vindo a noite e contando suas aventuras, querendo ver o progresso de sua história. Depois, empolgado por algumas entrevistas, ensaiava seus cantos (É! Ele cantava) para se apresentar em alguma já agendada entrevista de TV.
Com a saida da sociedade de Stocker, nosso diretor comercial, minha arte migrou da mesa de desenho para a mesa de negociação, me obrigando a elaborar novos projetos, captar clientes e fazer apresentações para grandes agencias, empurrando cada vez mais para curtos periodos a razão inicial da Voga.
Na Voga, ideia produzida de Stocker, criamos o que hoje é considerada um marco histórico na cidade de Taboão da Serra, a primeira revista de Taboão e dirigida ao esporte amador da região, SPORT NEWS com seus 10.000 exemplares distribuidos em gremios,sedes de times, prefeituras e por ai a fora.



Criamos tambem a Lar&Cia, revista dirigida a condominios com circulação no Brooklin e região, atingindo um mercado pouco explorado e crescente, chegando a 20.000 exemplares. Seu formato inovador e seu publico alvo, foi um sucesso copiado e renovado por outras editoras.
Se havia a preocupação de todos com essas publicações, "a volta do Capitão 7" não detinha tanto a atenção, que acabou ficando entre eu e Ayres.
Apos minhas apresentações em agencias, o mercado foi invadido por super-herois de empresas, minha visão ainda não alcançava que era mais lucrativo criar um heroi próprio do que investir em um.
Quando fundei a Voga Comunicação eu era um artista dedicado esperando para criar o melhor para meu cliente, e quando a deixei, tinha me tornado um profissional mais completo, aprendi que primeiro deve-se buscar o cliente para só depois criar o melhor para ele.

Algumas das campanhas para a Yucca e Koraicho, assinadas pela Voga.
*vender chumbo quente em copo de vidro - Ayres dizia isso de Stocker.
Em tempo, teminei a historia antes de deixar a Voga, e os originais ficaram com Ayres Campos, não sei se serviu de base para outras que foram produzidas posteriormente, o que sei é que a história concebida para sua volta foi criada com ele, e acredito, foi a que mais se aproximou do que Ayres Campos desejava para o seu personagem.

Sem desmerecer o trabalho de ninguem, devo deixar registrado aqui que certos projetos parecem gritar por uma determinada pessoa, "A volta do Capitão 7" era talhado para Julio Henrique Darde Junior, ex-diretor da Aika Propaganda e da Art-Pro-Market, um visionario que eu tenho certeza, adoraria resgatar e trazer de volta o Capitão 7 com todo o glamour que personagem merecia.

terça-feira, 19 de maio de 2009

o escalimetro e a escalada





Riscando aqui e acola, passei pela Aika Propaganda onde o forte era a montagem de estandes para eventos, depois um dos sócios montou a Art-Pro-Market - agencia voltada a criação e publicação de anuncios, e me arrastou para lá como diretor de arte.
No diversificação de serviços, apresentei um grande amigo que tinha participado da elaboração e editoria de vários veiculos de comunicação, Mario de Freitas; que acabou por comprar a Art-Pro-Market e a direcionar para o mercado como um bureau para formatação de jornais.
Lá estava eu no departamento de Arte, onde o nanquim era pouco exigido, trocado pelo mouse de um P.C. e o novissimo PageMaker!
Tres ou quatro titulos de jornais por semana, pratica, e Osvaldenir Stocker me levaram a Grafite Feiras e Eventos. Responsável pelas feiras profissionais Gift Fair, a maior feira de presentes da America latina, Supri-Shop, e a fabulosa Christmas Fair.
Se na Aika riscava na mão um ou dois estandes, na Grafite desenhava no computador, não em um P.C. mas Macs, pavilhões inteiros do Ibirapuera e do Center Norte. E se fazia jornais preto e branco me achando "o publicitário" criando grandes campanhas para pequenos estabelecimentos na Art-pro-Market; bem vindo a tres títulos de revistas bimensais totalmente coloridas, e com qualidade exigida para ser distribuida internacionalmente.
Tarso Jordão a frente da Grafite e dono do divino poder para conseguir o melhor de sua equipe, teve comigo doses cavalares de paciencia, em um lugar onde (pelo menos antes) a troca de quadros de funcionarios era uma constante e a permanencia podia ser contada (ou apostada) em dias, eu fiquei dois anos e o Stocker virou mais tempo.

Claro que hoje tenho maturidade para saber que se quiser alcançar sucesso tem que ser corporativo e não cooperativo. E se acreditam alguns que o programa "O Aprendiz" não é real, Justus é uma moça perto de Tarso Jordão.
Não dá para ficar aqui falando da visão administrativa ou de mercado que comprovadamente a Grafite possui e dos elogios infindaveis ao conhecimento adquirido, mesmo porque, a preocupação com o cliente e o profissionalismo da Grafite não te permitem estar ali para aprender, mas sim, descobrir que voce pode e deve sempre, fazer o melhor para seu cliente. Tarso estava certo, era um esmeril e me lapidou.


Aqui o primeiro logotipo da Christmas Fair, reformulado várias vezes depois, mas fico orgulhoso de lembrar que estava lá quando Tarso Jordão criou essa feira.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

james dean



Lembrando de rebeldes, resgatei esse desenho feito para a estampa de uma camiseta, quando trabalhava na estamparia de um chinês, no Brás.

Ele falava um espanhol-frances e um inglês-latim que acabava sempre em mimica, mas ao final eu sempre entendia o "Voce chega muito atrasado! Desconto!"

Para ele em moda, criatividade morava na cópia alterada.
Em tempo, como o fotolito estava quebrado, o desenho foi feito desenhando ponto a ponto...

domingo, 17 de maio de 2009

Essa tela foi concebida em Extrema-MG, um refúgio das dores do mundo... Esse, o Bar do Laercio, bem em frente a nossa pequena casinha a beira do rio, botequim, mercearia, e principal comércio nos 9 quilometros que nos separam do Centro comercial de Extrema.
Um lugar onde o importante é SER e não Ter.
Onde ouvir histórias, conviver com as pessoas, saborear uma boa comida é uma grata satisfação.


E um dia me disseram que escrevo demais, mas, para quem me conhece sabe que isso é uma constante até nos meus e-mails. Sou um herdeiro das cartas, onde me correspondia com fãs clubes de ficção cientifica, em uma época que o garrafeiro ganhava pelo peso do papel eu acostumei a escrever páginas e páginas. E exigia isso das pessoas também. Garrafeiro!
Hoje me deixa triste esse "internetês", essas regras de "conciso e sucinto" e pelo que eu saiba, não temos trabalho de virar a tela em cada pagina, vou escrevendo enquanto a barra de rolagem me permite.
Quando se escrevia um texto de jornal, eramos cortados por força do espaço para anúncio, de onde se originou o "corta o texto", literalmente - estilete no composer - colunas de texto ainda no past-up. Ora, quando se escrevia um "vc tbm" era uma falha no texto, hoje... é bonito de ver.
O que é triste mesmo é encontrar alguem do passado na internet, depois de um e-mail contando a vida, como uma carta a um parente distante, vem a resposta em uma linha e meia. Telefone as vezes tem, as vezes não, pra ver foto, Me add ai. E a amizade de anos se torna uma foto no Orkut.
Acho que todo mundo passou por isso, pelo menos quando lembro do assunto as pessoas concordam, sinal que não devo estar muito longe da realidade.
Gosto de escrever, imagina falar!

A divina comedia humana


Depois que David da Silva, agora editor de jornais, bateu em casa feliz porque acabava de entrevistar Belchior, essa felicidade passou para mim quando me pediu para ilustrar a matéria. Durante o processo, David foi comentando o que escutou do cantor e artista, Eu já era fã de Belchior mas não sabia que ele era desenhista, para mim o icone da filosofia cantada nos bares que demonstrou querer redesenhar a Divina Comédia, só fez aumentar a admiração por esse rebelde sem causa; e deixou mais perto a rebeldia e o desenhista.


Por tras do nanquim, David da Silva, o mais aguçado e astuto editor e um dos melhores parceiros de criação, um amigo que apesar de longe é presença constante.


Em tempo, David me presenteou com a Divina Comedia, com as ilustrações de Gustave Doré.
mais que um presente, um tomo sagrado... que estava muito além da minha capacidade intelectual para adquiri-lo.

BeetleJuice e tio Chico Adams


Depois dos jornais, trabalhei no departamento de arte de uma das mais importantes empresas de produtos para festa, referencia no setor na america latina, a Festcolor.

Lá, aprendi a trabalhar com vacuum forming, placas de plastico moldadas para fazer mascaras de carnaval e artigos para festas, jogos, estojos, enfim... um mundo de plastico.

Pra quem adorava histórias em quadrinhos, trabalhar com quem detinha os direitos de comercialização da Marvel e DC era o paraiso na terra. Fora os filmes, como Star Wars, que perdi de ver a mascara original do Darth Vader por questão de dias, que veio passear no Brasil para se fazer os moldes... ela não esperou que eu babasse nela, quando entrei na Fest ela já tinha feito o caminho de volta... mas deixou paineis incriveis que decoravam a sala do diretor.

Uma pena, porem pude passar o nanquim em Batman, Dracula e Jurassyc Park, fora Piratas do Caribe, que com uma visão fabulosa de mercado, a Fest adquiriu os direitos uma decada antes de se fazer o filme.
Vindo solto de ilustrações de jornal, onde não existem limites para suas criações, na Festcolor era a profissionalização. Lá descobri que nada é aleatorio, a Barbie não pode ser desenhada de qualquer jeito, tem esquemas, cores e fundos próprios. E tudo tinha que ser aprovado nos States, hoje deve ser bem mais facil...
E mais uma vez, por tras do nanquim estavam:
"Seu" Oscar, o grande diretor, que mesmo sem saber me ensinou que mercado se conquista com atenção a detalhes, dedicação e muito amor pelo trabalho.
João, diretor comercial que detinha o dom para reconhecer o que iria ser sucesso.
Carlinhos, Diretor de Arte, carrega um talento que apesar dos vários lugares que passei depois, não fui apresentado a ninguem tão bom.
E Joel; modelista, escultor e artista com rompantes de genialidade que se tornavam diarias. Parecia que para essa equipe, não existia projetos impossiveis, apenas mais demorados.

Optei por deixar a Festcolor em troca de um convite para direção de arte em uma publicidade, segui o caminho, apesar de não esquecer das guerras de massinha de modelar, do paint-ball e da nuvem branca que cobriu a fabrica quando se fez um ignorante teste para uma bomba de fumaça...

Em tempo, porque acho que realmente não fui muito claro nas desculpas balbuciadas quando resolvi brincar com o aerografo na ilustração da Batavo que o Carlinhos estava finalizando... Desculpem por isso.

sábado, 16 de maio de 2009

...assim falava a canção...







Cartaz para o show de Milton Nascimento no Embú.



A obra deve ser maior que o artista, vou seguir sempre essa linha, deixo-a falar por si.
Mas não devo esquecer que o trabalho não levou apenas nanquin e pena, mas tinha grandes doses de:
Rosangela Portela, uma das melhores editoras que já trabalhei, na epoca a frente do jornal Gazeta do Taboão;
Osvaldenir Stocker, que assinava a coluna "Culturando" na Gazeta e um precioso amigo; A razão dos números vez ou outra ofuscada pelo artista mambembe que traz no coração.
David da Silva, analista politico que para mim dividia o cargo de professor, dupla de criação e amigo de todas as horas, que aconselhava a todos - "Faz agora que depois do show é mancha de oleo!" (isso significava que matérias e fotos deveriam ser feitas antes do show, porque depois, você ficava sozinho na mancha de oleo do onibus que já havia partido)((Eu não segui o conselho e fiquei)
Marcelo Morais da Conceição, fotografo talentoso e irmão. Que além da amizade, a cumplicidade, o romantismo de tentar mudar o mundo; também seguia nos caminhos e na busca de uma informação a mais... a melhor foto... enfim:
-Vamos provar!!!
e claro, Ana Paula Medeiros, a reporter numero 1(foquinha) da Gazeta do Taboão e ainda no papel de minha noiva, jura que na entrevista coletiva, Milton Nascimento cantava Ana Paula, Ana Paula, ao inves de Maria, Maria.
e não devemos esquecer que Miriam Barcelos, diretora comercial da Gazeta do Taboão, quase teve uma parada cardiaca ao ver a quantidade de rolos de filmes fotograficos feitos na cobertura desse evento.
Depois de um tempo, eu e a equipe da Gazeta passamos em um bar perto da grafica, onde o David me puxou para ver pregado na parede como decoração, o meu cartaz...
para mim, lá estava a glória a meia luz.

Na Gazeta do Taboão, fazia o amado e odiado "De olho na Camara" onde David da Silva fazia os argumentos para histórias em quadrinhos mostrando os bastidores da politica regional.
O que me fazia hora ou outra, emprestar meu traço para outros jornais da região.
*Em protesto pela nova ortografia, aboli definitivamente os acentos dos meus textos, coisa que dizem, Paulo Francis já fazia.

-Seja humilde!

Sou um desenhista "alto de data", e todo mundo sabe que um auto-didata é um explorador com visto de turista, se espantando com coisas já descobertas. Isso o torna um péssimo professor, uma vez que desconhece métodos de ensino e avança em doloridos tropeços no escuro caminho de acertos e erros.

Porem, tem a vantagem de não ter limites para aprender. Não existe um diploma e nem fotos de formatura que afirmam que depois de 4 ou 5 anos de estudo voce é finalmente um profissional capacitado. Nunca conheci esse limite da fronteira do aprendizado, que se passou, era só uma construção atrapalhando a paisagem.

Caminho por anos nessa trilha, mas hoje, conheci minha lendaria fronteira.

A fronteira é a humildade, uma pedra que arrastei por todos esses anos profissionais. Olhei tanto para o que viria que esqueci de olhar o que estava me atrasando.

Quando comecei a ser pago para desenhar, escutava o tempo todo do meu primeiro patrão que eu deveria ser humilde. Absorvi o discurso de técnico de futebol de segunda divisão misturado com letra de rap, como uma lei não escrita. Minha ignorancia não permitiu compreender que, quem me dizia isso com tanta sabedoria, confundia humildade com soberba.

Quero deixar claro que não estou atacando a humildade, estou sendo humilde agora, admito que não sabia a diferença entre os vicios e as virtudes.

Se o conselho fosse: Não seja soberbo e egocentrico! Poderia ter feito muito mais do que fiz, poderia ter ganho mais, ter conquistado muito mais espaço e acumulado cargos. Mas não. Tiveram que me dizer:
- Seja humilde!

O estrago já estava feito em minha limitada mente, e ser humilde virou um lastro.

Olhando para esse peso mais de perto, vejo que o carregava quando em determinada ocasião, trabalhando em um singelamente batizado - departamento de novos projetos - riscava ideias para o que seria o lançamento do ano, só para descobrir mais tarde, que não o assinaria. Mas sim, alguem que gritava que era melhor... depois, o projeto voltou para que eu fizesse a arte final, e descobri espantado que a ideia era a minha. E olha, o cara foi pago pela minha ideia.

A humildade era humilhante.

O caminho que segui me apresentou dezenas de casos semelhantes, levou muito tempo para descobrir que a humildade era uma péssima companheira de viagem na profissão de desenhista.

Sou averso a mostrar meu trabalho muito por causa dessa humildade, mas hoje estou a fim de ver o que é que tem do outro lado dessa nova fronteira... passando por cima dela, o caminho continua e é por ai que vou seguir.

Em tempo, resolvi buscar uma outra companhia para a viagem que vira, uma outra frase dita por meu último patrão, porque todos depois dele viraram clientes.

- Faça sempre o melhor que puder!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

não?

um blog... pode ser até legal.